segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Em relação há alguns questionamentos que estamos recebendo, nossa amiga Silvana esclarece alguns pontos, conforme segue:

Com certeza o Projeto de Lei não é perfeito, mas já é alguma coisa. Poderá ser alterado, complementado, melhorado, o que não podemos é permitir que tudo fique parado como se nada estivesse acontecendo.
O que se busca, e se buscará sempre, é o melhor interesse da criança, pessoa essa tutelada pelo estado. Contudo, não há que se marginalizar os que buscam a adoção por n razões: por não poderem conceber, por querem aumentar a família, por amor, por querer ajudar, etc. Nunca colocamos a visão de adultos, de futuros adotantes, e sim do melhor interesse da criança. Segue o que entendo e que não é nenhuma realidade absoluta, mas o que sinto e penso.
Beijos em todos.
Silvana


Pontualmete:
1. A adoção não é a solução para as 80 mil crianças que vivem em abrigos.(dados não oficiais, baseados na AMB).
CONCORDO. A implementação de políticas públicas de acesso a educação, de fato e não apenas em propagandas que não condizem com a verdade, o aumento do número de empregos, implantação de projetos habitacionais, implementação de projetos para diminuição da população de rua, etc, etc, etc, seriam soluções possíveis e que diminuiriam o abandono. Mas, não estamos tratando de questões utópicas e sim da crua e dura realidade. Então, nesse momento, a melhor solução para as crianças abrigadas é a adoção, nacional, sempre que possível, e internacional em casos excepcionais. Importante mencionar que lutamos pela adoção tardia, múltipla e especial. Não traçamos o perfil da criança recém nascida, branca e perfeita. Traçamos o perfil da adoção: uma criança para uma família. É por isso que lutamos. De repente nossa visão é mais nua, mais real, pois não nos pautamos em um mundo fictício onde tudo se resolve em pouco tempo, a realidade é outra e já passamos por ela.

2. Não é a família biológica que tem direito à que a criança não seja adotada, mas sim a criança que tem o direito (garantido pelo ECA sim, baseado na Constituição Federal que é nossa lei maior e nas Convenções Internacionais das quais o Brasil é signatário) de viver com sua família de origem e só se isto não for possível, em outra família. CONCORDO. A criança tem direito a ser criada na sua família de origem. Não estamos falando em tirar essa possibilidade legal, real e ética. O que defendemos é que tais crianças, se abandonadas ou levadas à orfandade, sejam disponibilizadas de forma célere para adoção. Não aceitamos a morosidades dos processos de Destituição do Poder Familiar, a morosidade dos processos de habilitação, a morosidade dos processos de adoção. São essas as nossas críticas.

3. Entre as 80 mil situações devem existir várias que poderiam já estar definidas se houvessem serviços de avaliação e acompanhamento com maior e melhor capacidade de resposta e que esta é uma realidade complexa e sistêmica que precisa ser compreendida para poder mudá-la. Mas mesmo hoje, já existem sim muitas crianças disponíveis para adoção e que não encontram pais adotivos interessados nelas dentro dos milhares de candidatos cadastrados e aprovados.
É público e notório que grande parte dos abrigos dificultam o acesso às crianças já disponibilizadas para adoção. A palavra que nós, que já adotamos ou buscamos adotar, mais ouvimos é NÃO. Não pode haver visitação, não podemos saber quais crianças estão disponíveis, não, não e não. Não é culpa ou responsabilidade nossa se o Estado não se aparelha para lidar com um problema de tamanha proporção. Nossa luta também abrange a falta de qualificação profissional dos que tratam da questão adoção em todas as instâncias. Que se destinem verbas para a questão, que se contratem profissionais abalizados para tratar da questão, que sejam criados serviços de avaliação e acompanhamento com melhor capacidade de resposta. Concordamos com tudo, só queremos ação. Enquanto nada acontece crianças são”alugadas” por pais inescrupulosos para servirem de chamariz para pedintes de rua, outras passam a noite ao relento em caixas de papelão para tentarem incutir pena nos transeuntes. São crianças inocentes e os pais que as submetem a tamanho sofrimento não merecem com elas conviver.

4. Sim, os processos todos deveriam ser mais ágeis, porque as crianças não podem perder tempo - tempo perdido na infância é simplesmente perdido - mas não podemos inverter a lógica: o tempo e a prioridade absoluta é da criança e não dos adultos. CONCORDAMOS!!!

5. Toda as crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, fins em si mesmos. CONCORDAMOS!!!

6. O projeto de lei atual, na forma como está construído, apresenta problemas de redação que poderá gerar violações de direitos de crianças e adolescentes e por isso não deverá prosseguir em seu trâmite.
Não concordamos. O Projeto de Lei tem falhas, mas pararmos de discutir o assunto representa um enorme retrocesso. As críticas maiores ao PL são referente à adoção consensual. Ao contrário do que se apregoa, é nosso entendimento que a regulamentação da adoção intuitu personae ou consensual afastaria de plano as inúmeras adoções à brasileira que continuam a acontecer pelo Brasil. Precisamos ter em mente que vivemos em inúmeros Brasis e precisamos ter uma única regra para todos eles, dos cantões do nordeste até a capital do estado de São Paulo. Não militamos pela aniquilação da habilitação, muito pelo contrário, consensual ou não a adoção só poderá acontecer mediante prévio procedimento de habilitação e desde que resguarde o melhor interesse da criança.

Em resumo, o que todos queremos é exatamente a mesma coisa: o melhor para nossas crianças, só que, alguns, como nós, temos pressa em ver e fazer com que as coisas aconteçam. Não somos contra ninguém que apóia a adoção legal. Queremos unir forças e jamais dividir. Estamos abertos a críticas, sugestões, discussões.
 
posted by Katia Figueredo at 08:37 | Permalink | 7 comments


7 Comments:


  • At 10 de setembro de 2007 09:23, Blogger Simples Mortais

    Concordo em gênero, número e grau. O Projeto não é perfeito, mas podemos melhorá-lo, o q não dá é voltar pra trás com td q conseguimos até agora.

    Não queremos tirar filhos de ninguém, longe disso, mas tb não podemos ficar de mãos atadas, enquanto crianças crescem em abrigos, recebem maus tratos e abandono, enquanto q centenas de famílias estão aí esperando por seu filho, cheias de amor pra dar.

    Só falamos das crianças em situação de maus tratos e abandono, só e tão somente essas.

    Não podemos esperar por anos a fio, até q as feridas no corpo e na alma se cicatrizem, e abram-se outras e cicatrizem novamente, até qdo isso? Até que não se cicatrizem mais???

    Gente, uma destituição no caso de maus tratos e abandono, não pode durar anos??? Isso é pura crueldade!

    E as políticas públicas...sem querer ser pessimista, mas na minha humilde opinião é pura utopia, já q entra governo e sai governo e nada muda.

    Bjs Silvana, valeu o esclarecimento.

    Katia

     
  • At 2 de outubro de 2007 16:36, Blogger Dan

    Faço trabalho voluntario em um abrigo, sei que muitas das crianças não voltarão para suas famílias de origem pois elas estão desintegradas e talves nunca existiram como unidade. As leis deveriam ser mais justas com as crianças, elas tem potencial e mereciam crescer, não somente do ponto de vista biológico, mas de cabeça, precisam de alguém que as oriente, que exerca a paternidade e maternidade. Quantos casos de crianças esperando por pais que não vem. Isso existe.
    Possuo um blog cujo endereço é http://dan-poucodetudo.blogspot.com/, nele comento sobre vários assuntos, inclusive este. Tenho um livro para crianças sobre adoção(ainda não publicado),acredito que esse é um problema sério que deveria ser mais discutido com a sociedade.

     
  • At 31 de agosto de 2008 07:08, Anonymous Anônimo

    Os procedimentos para quem espera na fila da adoção deveriam ser mais rápidos, porque as crianças crescem em abrigos e muitas vezes perdem a infância sem alguém para amá-las, educá-las como pais...

     
  • At 21 de novembro de 2008 05:07, Anonymous Anônimo

    os juizes, e governantes deste nosso lindo país, deveriam resolver tudo isso o mais rapido possivel eu acho que a crinça deve ser aproximada a familia no maximo 1 ano, passou disso deve ser liberada para adoçao.Para que nao vivam a vida toda em abrigos e poderem ter uma familia.
    Eu tenho um filho adotivo e estou na fila a 10 anos em Santa Catarina.
    Em Santos reabri agora meu cadastro, mas confesso que estou canasada de esperar, conheço pessoas que desisitiram tamanha demora.Sinto muito pelos mais velhos que vão ficando, mas as pessoas que irão adotar tem que ter bastante consciencia em adota-los . Nós tentamos aproximaçao com dois irmãos um de 6 e outro de 9 anos e foi frustante e ate hoje sofro quando lembro, eles voltaram pra cidade deles não houve adaptaçao.
    Queremos uma menina de 0 a 3 anos, e ate agora nada, conheço pessoas que se escreveram e consiram bebe em menos de um ano?
    pergunto por quê?
    fizemos novas entrevistas e todos gostaram muito da minha familia e da nossa educaçao, moral e financeira, entao por quê não conseguimos?Alguem pode me explicar?

     
  • At 11 de outubro de 2011 12:58, Anonymous Anônimo

    OI MORO EM LAGUNA SC EU,MEU MARIDO E MINHAS DUAS FILHAS ESTAMOS TENTANDO ENTRAR PARA A LISTA DE ADOÇÃO,JÁ PASSAMOS ALGUMAS PSICOLÓGICAS.
    SE EU DIZER A VCS QUE ESTÁ SENDO FACIL NÃO ESTÁ POIS A ANSIEDADE É ENORME E A ESPERA É HORRÍVEL,MAIS FAZER O QUE NÃO TEM OUTRO JEITO,TEMOS QUE SEGUIR OS TRAMITES LEGAIS.
    O JEITO É ESPERAR E REZAR PARA QUE DEUS COLOQUE EM NOSSAS VIDAS ESSE ANJO TÃO ESPERADO.
    GOSTARIA MUITO DE TER CONTATO COM OUTRAS FAMILIAS QUE ESTÃO PASSANDO POR ESSE MOMENTO DE ANSIEDADE MEU EMAIL É MARI.EDSON@HOTMAIL.COM

     
  • At 27 de novembro de 2011 11:36, Anonymous Anônimo

    Minha pergunta é: será que os pais biológicos para recuperarem a guarda de seus filhos passam por avaliações tão frustrantes quanto aos pretendentes para adoção?

     
  • At 16 de janeiro de 2012 12:25, Anonymous Anônimo

    Olá meu nome e lucimar, foi adotada ilegalmente pois minha GENITORA E MEUS AVÓS RESOLVERAM ME ESCONDER DA SOCIEDADE E FOI FACIL ME DEIXARAM COM UMA DESCONHECIDA ELA ME REGISTROU E PRONTO FOI DADA COMO UM NADA HOJE MEUS PAIS ADOTIVOS FALECERAM E EU PROCURO JUSTIÇA PARA QUE MINHA GENITORA PAGUE PELO QUE FEZ POIS TINHAM E TEM BOAS CONDIÇÕES FINANCEIRAS SO POR CAPRICHO ME DERAM E A JUSTIÇA NADA ENTAO E UMA PALHAÇADA NAO DAREM O DIREITO A CRIANÇA DE TER UMA BOA FAMILIA QUANDO TEM PESSOAS DE BOAS CONDIÇÕES QUE DAM SEUS FILHOS PARA SE ESCONDEREM DA SOCIEDADE E NOS PRECISAMOS E DE AMOR COISA QUE A FAMILIA QUE ME ADOTOU ME DEU HOJE SO PROCURO PESSOAS QUE ME AJUDE A PUNI ADOÇÃO ILEGAL COMO NO MEU CASO A GENITORA GICELIA FERREIRA ME DEU COM 3 DIA S DE NASCIDA HOJE TENHO 36 ANOS E SO QUERO QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA, PORQUE AMOR TIVE FAMILIA QUE ME ACOLHEU ASSIM COMO OUTRAS CRIANÇAS AGUARDAM AMOR, PORQUE QUANDO QUEREM ADOÇÃO ILEGAL ACONTECE.